Sempre amei. Entregar-me a uma imagem. Uma ideia. Um valor. É-me natural. Não sei recorrer a outro método de viver. Plenamente. Se não abraçar por inteira essa imagem. Toda minha. Todo dela. E embalo-a com todo o calor do meu corpo. E deixo-a adormecer. Descansada no meu colo. E beijo-a sem ela o notar. E o sonho dela é o meu. Entrelaçados nesses mundos de confusões que nos baralham ao acordar deixamo-nos seguir de mão dada. Pelo menos a mão. Por vezes o corpo todo. E um é outro. E a imagem que vislumbro possui todos os ângulos. Todas as sombras que preciso. E amo-a por isso. E por mais uma lista de não-sei-porquês. Mas é isso que sentido me faz. E não consigo evitá-lo. E já amei muitas imagens. Sombras. Silhuetas. Todas diferentes. Todas com os seus jeitos. Mas nenhuma delas encaixava perfeitamente na pessoa à minha frente. E por isso continuei a amá-las. Mas não às pessoas. E por isso o que quero mais no mundo é que desta vez. Só desta vez. A imagem que amo. E embalo. E beijo. E sonho. Seja realmente da pessoa diante de mim. E sempre que te observo sei-o. Por detrás da imagem estás. E ponto-por-ponto segues-la. Cada traço. Cada curva. Cada melodia. És tu. E não sei já separar a pessoa da imagem. És tu. E quando é a imagem que me sorri. És tu. E quando procuro os teus lábios já não é a imagem que procuro. És tu. E és tu. E és tu. Só tu. Apenas tu. Tu.

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