Os Corvos

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Tiram-me o chapéu sempre que por eles passo. E vejo-lhes os bicos. E imagino-os a picarem-me os olhos. E imagino-me com cara de caveira. Fios de veias e sangue tombados na face. E nos seus bicos. Esses corvos tiram-me o chapéu. E tentam cegar-me sempre que deles me aproximo. E não entendem eles que quem se cega são eles próprios. De bicos perigosos e pontiagudos perdem o seu tempo a debilitar-me enquanto eu não deixo de passar por eles. Sempre com o mesmo sorriso. O mesmo olhar vazio. E eles não entendem. Não vêem. Que quem os debica até tombarem sou eu. Putrefactos até se vergarem ao peso daquilo que me roubaram. E eu sorrio-lhes. Sempre. De olhos fixos nos deles. Até os perder de vista. E eles a mim. Mais uma vez. E sempre.
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